sábado, 2 de junho de 2012

Um folder inútil da Coca-Cola ou "pra que serve essa propaganda"?

"Se eu tivesse um único dólar, investiria em propaganda." (Henry Ford)

Hoje, quando fui na padaria, retirei um folder que havia em cima do balcão:


Você, leitor, assim como eu, deve ter feito inúmeras perguntas como:
  • Em que consiste a campanha?
  • Quem pode doar agasalhos?
  • Como doar?
  • Onde levar agasalhos pra doação?
  • Quem receberá os agasalhos?
  • Quais as datas?
  • Quem doa concorre a alguma coisa?
  • Qual o telefone dos organizadores?
  • Qual o endereço dos organizadores?
  • Onde posso ligar pra saber mais informações sobre a campanha?
  • Em qual site posso ler mais sobre a campanha?
E por último:
  • Porque raios uma empresa gasta dinheiro imprimindo um folder tão inútil como esse?
Obviamente que esse folder não foi impresso pela Coca-Cola, já que a empresa possui uma das melhores equipes de marketing no mundo, mas sim pela distribuidora de Itapeva (Loureiro & Loureiro), que certamente não possui um setor de marketing, ou se possui, não está fazendo seu trabalho direito.

Acho que andaram levando a sério demais a frase de Henry Ford, citada no início deste artigo, esquecendo que ele se referia, obviamente, a propagandas BEM FEITAS e não a propagandas inúteis.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pequena crítica às Novas Classes Sociais da SEAE

Foi divulgado recentemente um estudo da Secretaria de Estado de Assuntos Estratégicos (SEAE), referentes a "novas classes sociais" (1), onde a secretaria afirma que, famílias cuja renda per capita esteja entre R$ 291 e 1019 pertencem à Classe Média. Dentre outras afirmações, classificam que, quem ganha acima de R$ 1020 já pertencem à Classe Alta.

Neste artigo, primeiramente quero deixar claro que a finalidade não é falar sobre política, nem sobre o PT, mas demonstrar, com bases em estudos sérios e cálculos de entidades idôneas os erros dessas "novas classes sociais"

Definir com clareza os limites econômicos e os requisitos para se pertencer a cada classe torna-se complicado, uma vez que os autores e especialistas no assunto divergem e mesmo porque as relações de consumo e a forma de vida variam de pessoa para pessoa, mas TODOS mostram que as "classes sociais" ou hierarquia da sociedade estão muito distantes daquilo que essa pesquisa apontou neste final de maio.

Para o IBGE, ainda que utilizem outra variável (Renda familiar, ao invés de renda per capita), a Classe C (equivalente a Classe Média) seria alguém que tenha renda de 6 a 15 salários mínimos. Dividindo-se esse número pela média brasileira (que é de 3,53 pessoas por família), chegaríamos ao mínimo aproximado de R$ 1057,22 per capita. Nota-se que é quase 4 vezes mais do que o padrão mínimo da "Baixa Classe Média" divulgado neste ano pela SEAE.

Outro indicador sério, utilizado pela ABEP (Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas) utiliza valores semelhantes ao IBGE, de R$ 1194,00 para a Classe C, por exemplo. Se formos comparar agora a Baixa Classe Alta da SEAE, cuja renda mínima é de R$ 1120,00 per capita, com a Classe A2 (R$ 6563 per capita )da ABEP, teríamos uma diferença ainda mais gritante: de mais de 4 vezes a diferença.

Como se os números não fossem necessários para entender o grande equívoco desta Secretaria irei fazer uma pequena análise usando a tão conhecida Pirâmide de Maslow.

Entende-se a pirâmide da seguinte forma: O ser humano possui uma hierarquia nas suas necessidades, sendo as que estão abaixo prioritárias e as demais vindo em consequência da realização das inferiores. Ou seja, alguém que não tenhoa suprido suas necessidades fisiológicas (a fome por exemplo) não terá tempo nem interesse em querer suprir as outras necessidades superiores. Para o melhor entendimento da pirâmide, sugiro ler um pequeno resumo que fiz que consta ao final deste artigo (2) e, para estudo mais aprofundado, as fontes citadas ao final do resumo.

Para levar a fundo essas "Novas Classes Sociais" determinadas pelo governo, basta ver por exemplo a "Média Classe Média", que teoricamente equivale-se ao exato centro da pirâmide

Uma pessoa da "Média Classe Média" (renda per capita de R$ 442 a R$ 641) pode dizer que já conseguiu satisfazer, ao menos em grande maioria, suas necessidades de fisiológicas e de segurança, ou seja, um indivíduo com um salário de R$ 442,00 per capita realmente já pode comer, beber, ter uma casa, comprar roupas suficientes, pagar suas contas, ter um pequeno conforto (internet, TV a cabo), um seguro de vida, Plano de Saúde, etc e agora pensa em se adequar socialmente frequentando certos ambientes como bares exclusivos, teatros, clubes e associações?
Se os gênios que fizeram esse cálculo das "Novas Classes Sociais" conseguirem me explicar qual foi a mágica para fazer R$ 442,00 render tanto, eu ficaria muito satisfeito.

Tabela comparativa das classificações de Classes Sociais segundo a ABEP, IBGE e SEAE
PARA VISUALIZAR A TABELA, CLIQUE NA IMAGEM


Everton do N. Siqueira
Especialista em Marketing

Referências:

(1) http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/05/classe-media-tem-renda-entre-r-291-e-r-1019-diz-governo.html


(2) A pirâmide de Maslow:



Necessidades Fisiológicas: Fome, sede, repouso, de abrigo, enfim, as necessidades mais "instintivas" do homem e necessárias para sua existência.

Necessidades de Segurança: Não se trata de "comprar alarmes", mas sim de segurança financeira, saúde e bem-estar, seguros, etc. É nessa fase das necessidades que o indivíduo começa a fazer planos futuros, bem como pensar  em pequenas exigências nas suas compras,  como um alimento mais saboroso ou uma roupa um pouco melhor.

Necessidades Sociais: Tendo satisfeito as duas necessidades anteriores, o indivíduo começa então a se preocupar socialmente, no exemplo econômico, podemos citar quando ele começa a frequentar  determinados bares, ou ir a lugares para se "enquadrar socialmente". As propagandas de cerveja tentem a explorar muito bem esta necessidade. Há um ditado popular que diz: "Pobre não tem depressão"; longe de querer abrir um debate sobre o assunto, até mesmo porque não sou médico, se analisarmos somente do ponto de vista mercadológico embasados na pirâmide de Maslow, poderemos perceber que até faz sentido: quem se preocupa apenas com suas necessidades mais básicas (fisiológicas e de segurança) não estarão atentos a perceber não estarem insatisfeitos em suas necessidades sociais. Geralmente é neste nível das necessidades, que algumas pessoas começam a ter crises existenciais (ex: "Ninguém me ama"!)

Necessidades de Auto-Estima: São as necessidades onde o indivíduo procura se auto-realizar, procurando evitar a depressão e nesta etapa começa, por exemplo, a "filosofar sobre a vida". No tocante à seu comportamento de consumo, é nesta etapa por exemplo que começa a preocupar-se mais com a qualidade das roupas, das marcas do que consome, e a gastar mais para ter se "sentir melhor". É aqui também que começam as cirurgias e operações estéticas, os investimentos em beleza, etc.

Necessidades de Auto-Realização: Tendo atingido, ao menos parcialmente, as outras quatro necessidades, os seres humanos tentem a buscar cada vez mais uma realização interior, sendo assim, o própio autor da pirâmide (Maslow) descreve que esta necessidade jamais poderá ser totalmente satisfeita, pois faz parte do homem estar sempre "buscando mais". No aspecto do consumo, é aqui que entra o mercado de luxo propriamente dito, ou mesmo as viagens frequentes ao exterior, a compra de carros importados, etc. Percebe-se que faz então sentido o aspecto "ilimitado" destas necessidades, uma vez que todos os ricos que possuem luxos, geralmente querem mais luxo, mais riqueza e cada vez mais, tendem a comprar produtos mais caros.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Da internet às vitrines

Há tempos não postava aqui...mas encontrei essa imagem que mostra bem a forma como as empresas podem usar os virais da internet e levá-las ao seu público "off line" de forma criativa, sem grandes gastos, e certamente, com um enorme retorno.



Para relembrar, vamos assistir novamente o vídeo?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Antigas profissões com novos nomes

Abaixo, uma forma de melhorar seu currículo e conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho:

* Especialista em Marketing Impresso (boy da xerox)
* Supervisor Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde (faxineiro)
* Oficial Coordenador de Movimentação Interna (porteiro)
* Oficial Coordenador de Movimentação Noturna (vigia)
* Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de ônibus)
* Distribuidor de Recursos Humanos VIP (motorista de táxi)
* Distribuidor Interno de Recursos Humanos (Ascensorista)
* Diretora de Saneamento de Áreas (a tia que limpa o banheiro)
* Especialista em Logística de Energia Combustível (frentista)
* Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (peão de obra)
* Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (ajudante de pedreiro)
* Especialista em Logística de Documentos (office-boy)
* Especialista Avançado em Logística de Documentos (motoboy)
* Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos (vidente)
* Técnico de Marketing Direcionado (distribuidor de santinho nas esquinas)
* Especialista em Logística de Alimentos (garçom)
* Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos (gandula)
* Distribuidor de Produtos Alternativos de Alta Rotatividade (camelô)
* Técnico Saneador de Vias Publicas (gari)
* Especialista em Entretenimento Masculino (puta)
* Especialista em Entretenimento Masculino Sênior (puta de luxo)
* Dublê de Especialista em Entretenimento Masculino (travesti)
* Supervisor dos Serviços de Entretenimento Masculino (cafetão)
* Técnico em Redistribuição de Renda (ladrão)

terça-feira, 29 de março de 2011

Nova Propaganda da Coca-Cola - Existem razões para acreditar


O vídeo fala por si só e já emociona aquele que assiste, mesmo assim quero tecer alguns comentários.

Quando perguntaram a Philip Kotler, se ele tivesse que optar pela marca da Coca-Cola ou por todas suas fábricas o mestre não ousou responder: "a marca". Quando consumimos produtos como a Coca-Cola, não estamos necessariamente apenas ingerindo o alimento ou bebida oferecidos, mas também toda a imagem e filosofia que a marca traz em si.

Me admiro muito em ver a maneira como a Coca-Cola construiu sua marca, com mensagens positivas, aliando seu nome à família tradicional, reunida na mesa, almoçando juntos, sempre mostrando o sorriso estampado no rosto das pessoas.

Estamos no início de 2011, diante de guerras e mortes ocorrendo no oriente médio, diante de catástrofes naturais que aos poucos estão fazendo as pessoas desacreditarem na existência de bondade neste mundo. O Brasil hoje ocupa o 6º lugar no ranking de homicídios no mundo e quase 40% dos nossos jovens morrem desta forma trágica (1). Tais fatos e dados, aliados às dificuldades do mundo moderno, onde quase 50 milhões de brasileiros vivem com apenas R$ 80 por mês (2), tem levado muitos a perder a esperança, perder a fé, aumentando assim o número de pessoas depressivas que hoje já são cerca de 13 milhões de brasileiros (3).

A Coca-Cola, além de divulgar a tua marca, quer mostrar com este comercial (baseado em um estudo real, segundo a empresa) que mesmo com o desânimo, a corrupção, a destruição do meio ambiente, as guerras e o medo, ainda existem coisas boas em número significativamente maior.

A propaganda inicia com o "desânimo" e, contrariamente a ele, coloca o número muito maior de "casais que planejam ter filhos",  porque já faz parte da marca valorizar a família tradicional e unida, respeitando a vida. Talvez seja essa uma das chaves do sucesso da marca, valorizando a família e o respeito pelo ser humano, enquanto muitas outras (como as propagandas de cerveja por exemplo) fazem questão de atacar e destruir.

Quanto cita a corrupção, que hoje descaradamente vemos em várias partes do Brasil, o comercial enfatiza um número maior de pessoas que doam um pouco de seu sangue para salvar milhares de pessoas que estão precisando.

Depois de várias comparações, todas com ênfase otimista, a Coca-Cola então, de maneira discreta e brilhante, compara o "número de armas", hoje responsáveis por milhares de mortes nas guerras que assistimos no oriente médio com um número muito maior de "pessoas compartilhando Coca-Cola".



sexta-feira, 25 de março de 2011

Homem processa Unilever por usar "Axe" e não conseguir namorada

Oportunismo ou descuido de quem fez a ação promocional do desodorante?

Um rapaz indiano deicidiu processar a empresa Unilever, fabricante dos desodorantes Axe, por passar sete anos à espera do ''efeito axe''; sem obter resultados, reporta o site Aanova.com.

Vaibhav Bedi, de 26 anos, quer uma indenização de 26 mil libras (cerca de 74 mil reais) por ''depressão e danos psicológicos''; causados no período em que ele usou o desodorante, convicto de que iria atrair várias mulheres, como é mostrado em diversas propagandas do produto.

Oficiais de justiça de Nova Déli acataram o pedido e concordaram em fazer exames laboratoriais com os frascos de desodorante usados por ele. O rapaz alegou que sempre seguiu corretamente todas as instruções de uso e de armazenamento do produto, mas nem por isso conseguiu arrumar uma namorada.

A Unilever não quis se pronunciar sobre o caso.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O pleonasmo no atendimento

Antes de escrever sobre o atendimento no PDV, preciso esclarecer aos leitores o que é "pleonasmo".

Resumidamente podemos dizer que pleonasmo é a repetição desnecessária de um termo ou idéia. Podemos citar por exemplo frases como "subir pra cima", "descer pra baixo" ou "peidar pelo cu".

Espero que tenha ficado claro a idéia de pleonasmo, caso ainda restem dúvidas, recomendo assistir o vídeo abaixo:


Pleonasmo no Ponto de Venda
Uma vez que tenho certeza que os leitores sabem o que é pleonasmo (exceto as loiras burras - ops, outro pleonasmo!) posso passar à minha explanação.

Ter atendentes que atendam pode soar como pleonasmo, afinal, o atendente não faz outra coisa senão ATENDER. Isso teoricamente, porque na prática, não raras as vezes entramos em um local para ter um problema resolvido e saímos com dois, ou seja, o atendimento não atende as necessidades do cliente.

Outro dia entrei em uma loja de roupas e perguntei ao "atendente" se eles vendiam sobretudo, ao que ele me responde que sim, apontando uma jaqueta (igual essas de motoqueiro). Na hora percebi tratar-se de um vendedor despreparado e claramente identifiquei um ATENDIMENTO QUE NÃO ATENDE, afinal, para um VENDEDOR DE ROUPA, não saber a diferença entre sobretudo e jaqueta é um erro gravíssimo.

O atendimento é parte essencial da empresa, a dica que dou é: Se você estiver fazendo algum serviço e chegar uma pessoa para ser atendida, PARE TUDO QUE ESTIVER FAZENDO, não importa que seja o relatório que faltam 5 minutos pra encerrar o prazo, ou aquilo que teu chefe pediu pra ontem ou que se expediente esteja acabando. Se o relatório atrasar 10 minutos você ainda pode resolver e explicar o motivo do atraso, o chefe (se for realmente um líder verdadeiro) entenderá o atraso, se foi devido a atendimento ao cliente, o expediente pode ser negociado a hora extra com seu patrão, mas o cliente insatisfeito NÃO volta, e ainda vai contar pra muita gente sobre o descaso que recebeu.


Fica aqui a explicação dos motivos que me levam a crer que "atendimento que atenda" não soa como pleonasmo, mas como um diferencial competitivo. Caso discorde, deixe um comentário.